sexta-feira, 11 de maio de 2012

Mãe!

Segue abaixo um belo texto que me fez recordar da minha mãe, como se eu estivesse escrevendo pra ela. Penso que são lembranças comuns a quem teve ou tem uma Mãe. E ainda é pouco pra descrever e dimensionar o que ela foi e é. Mesmo que fisicamente não esteja mais junto. E isso é só detalhe. ;o))



E o gostoso, que aquece o coração, é sentir que nenhum momento foi desperdiçado nessa especial experiência de Amor!


Feliz todos os dias, a todas as mamis!!!


(foto tirada por mim, do jacarandá que mami plantou)


Minha mãe, pra mim, é sol mesmo quando chove. É chuva, com direito a cheiro de terra molhada do quintal lá de casa, quando tudo fica árido. Silêncio capaz de amansar ruídos que eu não sei como fazer dormir. Voz que me ajuda a acordar esperanças quando elas ficam com preguiça de levantar. Uma presença que sabe acender o meu ânimo quando o breu se esparrama. Primavera para o meu olhar, não importa qual seja a minha estação. Um perfume inigualável. Ela e as coisas todas do mundo dela. Quando chega, traz lembranças minhas que apenas ela reflete e apenas eu consigo ver. Uma espécie de poema que o sentimento lê em voz alta somente para dentro.

Minha mãe foi a primeira música que tocou no meu rádio. A primeira paisagem. A primeira pessoa que me falou sobre milagres e, sem palavra alguma, me contou sobre Deus. Uma história de amor. Tanto faz se, às vezes, desconcertado. Tanto faz se, às vezes, atrapalhado pela mistura das coisas que são dela e das coisas que são minhas. Tanto faz se aprendendo a amar junto comigo nesses bancos da escola. Tem vez que a gente demora para resolver alguns exercícios mais complicados, mas a amizade que nos liga e construímos, página a página, sempre nos orienta na busca das respostas. Minha mãe é maciez pra minha alma quando a vida se faz áspera e quando não. Um lugar de conforto, onde eu posso ser. Amor, quando as minhas folhas caem e quando floresço. A mesa sempre posta, até quando sinto fome apenas de lembrar quem sou.

Estou convencida de que ninguém me conhece melhor do que ela. Sente a emoção da vez, antes de eu dizer “alô”. Sente quando omito alguma coisa, por mais sofisticados que sejam os meus disfarces. Sente a atmosfera da minhas palavras, antes que eu consiga ou resolva dizê-las. Conhece mais variações de sorrisos, silêncios e olhares meus e suas respectivas mensagens do que suponho mostrar. Ela não me conhece assim porque é versada na arte do conhecimento humano. Minha mãe é versada em mim, desde quando eu ainda nem era eu direito.

Parece ser especialista em previsões climáticas. Chove, quando não lembro do chapéu e ela diz pra eu não esquecer. Faz um frio absurdo, de repente, quando não levo o casaco e ela diz pra eu levar. Geralmente costuma doer quando alerta que vou me machucar e eu não ligo. Ah, sim, um bocado de vezes também exagera, erra na medida, lê seu oráculo de cabeça pra baixo e com lente de aumento, seja lá por falha intuitiva ou conveniência de seus receios maternos. Mas a verdade é que mãe parece mesmo ter um olhar diferente. Capaz de ver coisas que quaisquer outros olhos do mundo não sabem enxergar. Nem os nossos.

Minha mãe cantou para me fazer adormecer. Ensinou-me, com toda a paciência do mundo, a rezar para o meu anjo da guarda antes de eu dormir e de levantar da cama. Ensinou-me a respeitar o espaço das pessoas, a ser educada com gente de toda idade, a ser cuidadosa com as plantas e os bichos, a não me apropriar de nada que não me pertencesse. De mãos dadas, seguíamos pelas ruas e seguir de mãos dadas com ela pelas ruas era uma espécie de festa que acontecia toda manhã. Encapava meus cadernos. Perguntava o que havia acontecido na escola quando percebia que eu havia chorado, mas não contava para ela. De vez em quando, me surpreendia com meus lanches preferidos enquanto eu assistia "Sessão da Tarde": bolo "Ana Maria", mingau de cremogema, bolinhos de chuva.

Minha mãe costumava cantarolar, lá na cozinha, enquanto preparava o almoço. Nunca soube se era também por isso que a comida ficava tão gostosa e tinha um cheiro que eu não encontro em nenhum outro lugar. Costurava até altas horas da noite, fazia tricô, jogos de ráfia, enxoval para bebê, para ajudar o meu pai com as despesas, eu ficava por perto, ouvindo música, escrevendo meus versos. No início da adolescência, desconcertada, me falou, do jeito dela, sobre novidades que não sabia como me explicar direito. E quando eu sentia cólicas terríveis, lá estava ela, com seu chá de erva-cidreira e as toalhinhas quentes que passava a ferro para pôr sobre a minha barriga pra amenizar a dor. Às vezes é preciso que o mundo dê algumas voltas e a gente amadureça um pouco para ser capaz de leituras mais amorosas sobre um bocado de coisas. Leituras com braços e coração mais abertos.

Nos meus tempos de conga azul, cadernos com decalque, canetinhas silvapen, merendeira com lanche Mirabel, lá pelos sete anos de idade, no início daquilo que chamavam de “primário”, eu escrevia frases curtas que me pareciam enormes, recém-alfabetizada que era. Vocabulário restrito, para falar sobre a minha mãe, escrevi várias vezes tudo o que eu podia: “Minha mãe é bonita”. Atualmente, tenho muito mais do que sete anos e, ao longo das décadas, aprendi a escrever frases mais elaboradas, mas esta continua sendo perfeita. Para os meus olhos, as belezas que ela tem são ainda maiores, bem maiores, agora, olhando daqui. Bença, mãe!

(texto de Ana Jácomo)

segunda-feira, 23 de abril de 2012

A capacidade de se encantar - Martha Medeiros


Muita gente diz que adora viajar, mas depois que volta só recorda das coisas que deram errado. Sendo viajar um convite ao imprevisto, lógico que algumas coisas darão errado, faz parte do pacote. Desde coisas ingratas, como a perda de uma conexão ou ter a mala extraviada, até xaropices menos relevantes, como ficar na última fila da plateia do musical ou um garçom mal-humorado não entender o seu pedido. Ainda assim, abra bem os olhos e veja onde você está: em Fernando de Noronha, em Paris, em Honolulu, em Mykonos. Poderia ser pior, não poderia?

Outro dia uma amiga que já deu a volta ao mundo uma dezena de vezes comentou que lamentava ver alguns viajantes tão blasés diante de situações que costumam maravilhar a todos. São os que fazem um safári na Namíbia e estão mais preocupados com os mosquitos do que em admirar a paisagem, ou que estão à beira do mar numa praia da Tailândia e não se conformam de ter esquecido no hotel a nécessaire com os medicamentos, ou que não saboreiam um prato espetacular porque estão ocupados calculando quanto terão que deixar de gorjeta.

Não saboreiam nada, aliás. Estão diante das geleiras da Patagônia e não refletem sobre a imponência da natureza, estão sentados num café em Milão e não percebem a elegância dos transeuntes, entram numa gôndola em Veneza e passam o trajeto brigando contra a máquina fotográfica que emperrou, visitam Ouro Preto e não se emocionam com o tesouro da arquitetura barroca – mas se queixam das ladeiras, claro.

Vão à Provence e torcem o nariz para o cheiro dos queijos, olham para o céu estrelado do Atacama sofrendo com o excesso de silêncio, vão para Trancoso e reclamam de não ter onde usar salto alto, vão para a Índia sem informação alguma e aí estranham o gosto esquisito daquele hambúrguer: ué, não é carne de vaca, bem? Aliás, viajar sem estar minimamente informado sobre o destino escolhido é bem parecido com não ir.

Estão assistindo a um show de música no Central Park, mas não tiram o olho do iPad. Vão ao Rio, mas têm medo de ir à Lapa. Estão em Buenos Aires, mas nem pensar em prestigiar o tango – “programa de velho!” São os que olham tudo de cima, julgando, depreciando, como se o fato de se entregar ao local visitado fosse uma espécie de servilismo – típico daqueles que têm vergonha de serem turistas.

É muito bacana passar um longo tempo numa cidade estrangeira e adquirir hábitos comuns aos nativos para se sentir mais próximo da cultura local, mas quem pode fazer essas imersões com frequência? Na maior parte das vezes, somos turistas mesmo: estamos com um pé lá e outro cá. Então, estando lá, que nos rendamos ao inesperado, ao sublime, ao belo. Nada adianta levar o corpo pra passear se a alma não sai de casa.

(Meu encanto, meu canto - foto by me)
*Quem não é feliz na sua aldeia, não é feliz em nenhum lugar. Márcia B.*

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

O Poder do Agora

Em um mundo onde as pessoas se revezam entre pensar no passado e fazer planos para o futuro, o agora não se manifesta. Permanece desperdiçado, ignorado, mantendo distantes as verdadeiras possibilidades de realização. Esse deslocamento descontrolado no tempo coloca a mente fora de ação e distancia o homem do sentimento de felicidade. Para ser conscientemente ativo e desfrutar da vida com qualidade, só mesmo estando integralmente atento e presente no agora.

Eckart Tolle fala muito bem disso. Quando decidiu escrever O Poder Do Agora, ele já se encontrava num estágio bem avançado de presença. Já havia passado por muitas experiências e vivências que o levaram a conhecer mais da essência de toda manifestação. Estava inteirado do universo de conceitos que fundamenta caminhos como o cristão, o budista, o hinduísta, o taoísta e outros da senda espiritual.

Depois de se dedicar unicamente ao seu desenvolvimento interior, através do entendimento, integração e aprofundamento da transformação, Eckart aprendeu que certos pensamentos e emoções impedem de vivenciar com plenitude a paz e a alegria que estão dentro de nós mesmos. Sua vida tem sido desde então uma colaboração no grande esforço de ensinar a humanidade a tomar consciência disso tudo.

“A mente, para garantir que permanece no poder, procura constantemente encobrir o momento presente com o passado e o futuro e, assim, ao mesmo tempo que a vitalidade e o infinito potencial criativo do Ser, que é inseparável do Agora, começam a ficar encobertos pelo tempo, também a sua verdadeira natureza começa a ficar encoberta pela mente.”

O Poder do Agora lança uma luz sobre os processos mentais automáticos, informando detalhadamente ao leitor como reverter esse quadro, bastando observar com dedicação o comportamento indisciplinado e inquieto da mente. E alerta como a resistência gerada por ela, apegada a seus padrões, bloqueia a ação da cura e prejudica a saúde do homem.

“O que poderia ser mais insensato do que criar uma resistência interior a alguma coisa que já é? O que poderia ser mais insensato do que se opor à própria vida, que é agora e sempre agora? Renda-se ao que é. Diga “sim” para a vida e veja como, de repente, a vida começa a trabalhar mais a seu favor em vez de contra você.”

Em o Poder Do Agora, Eckhart Tolle aborda com clareza a questão do presente.

A estreita ligação entre o eu sou e o eu estou, entre o agora e o aqui. O presente enquanto única realidade, em movimento de constante impermanência. Para isso, o autor se aprofunda na verdadeira identidade do “quem sou” e esclarece que o ego não é o verdadeiro você.

“O ego precisa de alimento e proteção o tempo todo. Tem necessidade de se identificar com coisas externas, como propriedades, status social, trabalho, educação, aparência física, habilidades especiais, relacionamentos, história pessoal e familiar, ideais políticos e crenças religiosas. Só que nada disso é você. Levou um susto? Ou sentiu um enorme alívio?”

E complementa. “Mais cedo ou mais tarde, você vai ter que abrir mão de todas essas coisas. Pode ser difícil de acreditar, e eu não estou aqui pedindo a você que acredite que a sua identidade não está em nenhuma dessas coisas. Você vai conhecer por si mesmo a verdade, lá no fim, quando sentir a morte de aproximar. Morte significa despojar-se de tudo que não é você. O segredo da vida é “morrer antes que você morra” – e descobrir que não existe morte.”

Falar do agora não é tão simples como parece. Por isso, Eckhart precisa passar por uma imensidade de temas, e mostrar a unidade que está interligando todos eles. O futuro e o passado para falar do presente, o observador e o pensador para falar da consciência, a vida e a morte para falar da realidade.

“A liberdade começa quando percebemos que não somos a entidade dominadora, o pensador. Saber disso nos permite observar a entidade. No momento em que começamos a observar o pensador, ativamos um nível mais alto de consciência. Começamos a perceber, então, que existe uma vasta área de inteligência além do pensamento, e que este é apenas um aspecto diminuto da inteligência.”

O Poder do Agora nos ensina que as coisas realmente importantes, como o amor, a paz, a beleza, a alegria, a criatividade, surgem de um ponto além da mente. E que tomar consciência disso é o princípio do despertar. O livro é um guia honesto e competente para a descoberta do nosso potencial interior.

Para quem quer mudar de vida, deixar velhos hábitos pra trás, ele afirma: qualquer decisão de mudança deve começar neste exato momento. Um ensinamento que ressalta e enfatiza a importância do aqui e agora como única realidade onde e quando tudo acontece. O Poder do Agora é leitura transformadora. Um título valioso, com méritos para ganhar destaque na estante de grandes livrarias.


Um trecho de O Poder do Agora

Por mais de trinta anos um mendigo ficou sentado no mesmo lugar, debaixo de uma marquise. Até que um dia, uma conversa com um estranho mudou sua vida:

– Tem um trocadinho aí pra mim, moço? – murmurou, estendendo mecanicamente seu velho boné.

– Não, não tenho – disse o estranho. – O que tem nesse baú debaixo de você?

– Nada, isso aqui é só uma caixa velha. Já nem sei há quanto tempo sento em cima dela.

– Nunca olhou o que tem dentro? – perguntou o estranho.

– Não – respondeu. – Para quê? Não tem nada aqui, não!

– Dá uma olhada dentro – insistiu o estranho, antes de ir embora.

O mendigo resolveu abrir a caixa. Teve que fazer força para levantar a tampa e mal conseguiu acreditar ao ver que o velho caixote estava cheio de ouro.

Eu sou o estranho sem nada para dar, que está lhe dizendo para olhar para dentro. Não de uma caixa, mas sim de você mesmo. Imagino que você esteja pensando indignado: "Mas eu não sou um mendigo!"

Infelizmente, todos que ainda não encontraram a verdadeira riqueza – a radiante alegria do Ser e uma paz inabalável – são mendigos, mesmo que possuam bens e riqueza material. Buscam, do lado de fora, migalhas de prazer, a provação, segurança ou amor, embora tenham um tesouro guardado dentro de si, que não só contém tudo isso, como é infinitamente maior do que qualquer coisa oferecida pelo mundo.



Título: O Poder do Agora

Autor: Eckhart Tolle

Editora: Sextante

Edição: 1

Número de Páginas: 224




terça-feira, 4 de outubro de 2011

Dia Mundial dos Animais

 

Em 4 de outubro comemora-se o Dia de São Francisco de Assis, considerado o padroeiro dos animais. De fato, é comum encontrar nas sedes das entidades de proteção animal imagens do santo italiano. Por sua relação de amor e respeito aos animais, a data serve também para comemorar o Dia Mundial dos Animais.



Declaração Universal dos Direitos do Animal

Art. 1º - Todos os animais nascem iguais perante a vida e têm os mesmos direitos à existência.

Art. 2º - O homem, como a espécie animal, não pode exterminar os outros animais ou explorá-los violando este direito; tem obrigação de colocar os seus conhecimentos a serviço dos animais.

Art. 3º - Todo animal tem direito à atenção, aos cuidados e à proteção do homem. Se a morte de um animal for necessária, deve ser instantânea, indolor e não geradora de angústia.

Art. 4º - Todo animal pertencente a uma espécie selvagem tem direito a viver livre em seu próprio ambiente natural, terrestre, aéreo ou aquático, e tem direito a reproduzir-se; Toda privação de liberdade, mesmo se tiver fins educativos, é contrária a este direito.

Art. 5º - Todo animal pertencente a uma espécie ambientada tradicionalmente na vizinhança do homem tem direito a viver e crescer no ritmo e nas condições de vida e de liberdade que forem próprias de sua espécie; Toda modificação deste ritmo ou destas condições, que forem impostas pelo homem com fins mercantis, é contrária a este direito.

Art. 6º - Todo animal escolhido pelo homem como companheiro tem direito a uma duração de vida correspondente à sua longevidade natural; Abandonar um animal é ação cruel e degradante.

Art. 7º - Todo animal utilizado em trabalho tem direito à limitação razoável da duração e intensidade desse trabalho, alimentação reparadora e repouso.

Art. 8º - A experimentação animal que envolver sofrimento físico ou psicológico é incompatível com os direitos do animal, quer se trate de experimentação médica, científica, comercial ou de qualquer outra modalidade; As técnicas de substituição devem ser utilizadas e desenvolvidas.

Art. 9º - Se um animal for criado para alimentação, deve ser nutrido, abrigado, transportado e abatido sem que sofra ansiedade ou dor.

Art. 10º - Nenhum animal deve ser explorado para divertimento do homem; As exibições de animais e os espetáculos que os utilizam são incompatíveis com a dignidade do animal.

Art. 11º - Todo ato que implique a morte desnecessária de um animal constitui biocídio, isto é, crime contra a vida.

Art. 12º - Todo ato que implique a morte de um grande número de animais selvagens, constitui genocídio, isto é, crime contra a espécie; A poluição e a destruição do ambiente natural conduzem ao genocídio.

Art. 13º - O animal morto deve ser tratado com respeito; As cenas de violência contra os animais devem ser proibidas no cinema e na televisão, salvo se tiverem por finalidade evidenciar ofensa aos direitos do animal.

Art. 14º - Os organismos de proteção e de salvaguarda dos animais devem ter representação em nível governamental. Os direitos do animal devem ser defendidos por lei como os direitos humanos.




foto by me



"Chegará o dia em que os homens conhecerão o íntimo dos animais, e, neste dia, um crime contra um animal será considerado um crime contra a humanidade".  (Leonardo da Vinci)

"Enquanto o homem continuar a ser destruidor impiedoso dos seres animados dos planos inferiores, não conhecerá a saúde nem a paz. Enquanto os homens massacrarem os animais, eles se matarão uns aos outros. Aquele que semeia a morte e o sofrimento não pode colher a alegria e o amor." (Pythagoras)


... vamos aproveitar a data para refletir por alguns instantes sobre tudo aquilo que devemos aos animais, sobre todos os erros cometidos até agora. Existe um caminho a ser seguido, que é o respeito a todas as formas de vida, tanto aos aspectos mais básicos, como abrigo e alimentação, quanto ao direito a afeto, liberdade e à vida.

{fonte: http://www.portalsaofrancisco.com.br/}

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Dia da Árvore


Mil desenhos loucos te tatuam. Mil formas te formam, deformam e te fazem ser. Abraço-te e sinto minhas formas fundirem-se com as tuas. Sorvo o instante de nossa impossível união e retiro-me com meu corpo marcado, para sempre, pelo teu.

Se eu pudesse, subiria à mais alta de tuas ramadas, escolheria o mais morno dos teus galhos e lá faria um ninho para os meus desejos. Depois, uma a uma, enfileirava as canções que o vento canta nas tuas folhas, juntava-lhes os risos dos pássaros e deixava- me sonhar apenas por um segundo. Se eu pudesse ...

Teu corpo, com cheiro de terra, detém o meu passo. O que terá feito aquela ramada crescer tão direita em direção à nascente e aquela outra descrever tantas e tão caprichosas curvas? O que terá feito o teu tronco tão terno de tocar e macio de sentar? Retomo devagar o passo, mas, um pouco adiante, paro e olho-te de novo; e o que me terá detido, me feito te tocar e ... escrever estas coisas?

Teus mapas (maravilhosas imperfeições), marcados ao acaso em teu corpo, são caminhos por onde navegam as canoas da minha imaginação. Se uns dias, ao passar indiferente, não os noto, não quer dizer que esteja longe de ti. Quer dizer (terrível confissão!) que estou longe de mim mesmo.

O vento assobia em teus velhos galhos canções estranhas. Ontem quase nada eras e hoje quase nada és. Entre raízes, a teus pés, sementes que te farão renascer em outros seres me lembram que minhas palavras, no papel, me farão também renascer, sempre que lidas. Por um instante, imagino que eternidade seja apenas isso.

Os espinhos que te protegem não me deixam tocar-te. Olho-te e sinto as couraças espinhosas de que me revisto e que me protegem, afastando-me de tudo o que me rodeia. Olho-te de novo e pergunto-me por quê.

Sinto como se fosse no meu, minha irmã, a ferida que fizeram no teu peito. Logo mais, na calada da madrugada, voltarei. Sei que não serei capaz de sanar a tua dor, mas prometo que colherei alguns de teus frutos e os levarei para terras onde as únicas armas conhecidas sejam o dardejar dos raios de sol, pela manhã, e o ribombar de risos de crianças, ao entardecer.

Observo a harmonia com que o teu tronco sustém as ramagens. Arranho-te ao de leve e cheiro a seiva das tuas entranhas. Sinto-me inebriado. Teu corpo desperta em mim sensualidades ignoradas. Um desconhecido passa. Sério, recuo alguns passos e examino-te com fingido ar catalogador. Ele... terá reparado? Retiro-me, despedindo-me de ti com um olhar de soslaio.

{As árvores do meu caminho - Pedro Veludo}
{fotos by Márcia B.}

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Nunca pare de sonhar...

"Nunca se entregue,

nasça sempre com as manhãs.


Deixe a luz do sol brilhar no céu do seu olhar.


Fé..."

(Gonzaguinha)
{foto: Márcia B.}

quinta-feira, 28 de julho de 2011

No Dia de Combate às hepatites virais, saiba mais sobre a transmissão e a prevenção da doença

Muitas pessoas em todo o mundo têm hepatite, porém não sabem. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que mais de 2 bilhões tenham sido infectados por vírus que causam doença e 1 milhão de pacientes morra em decorrência de inflamações no fígado a cada ano. O vírus da hepatite é de 50 a 100 vezes mais infeccioso do que o HIV, causador da Aids.

No Dia Mundial de Combate às Hepatites Virais, lembrado nesta quinta-feira, a OMS chama a atenção para a importância do diagnóstico precoce dessa epidemia silenciosa. Na maioria dos casos, os sintomas não aparecem e, quando ocorrem, pode ser um sinal de que a doença já está na fase crônica. Os sintomas mais comuns são cansaço, febre, mal-estar, tontura, enjoo, vômito, dor abdominal, pele e olhos amarelados, urina escura e fezes claras.

— A pessoa não se reconhece doente. Por ser uma doença silenciosa, o diagnóstico é muito difícil — explica o presidente da Sociedade Brasileira de Hepatologia Raymundo Paraná.

De acordo com o médico, o consumo de álcool e a obesidade contribuem para evolução mais rápida da doença.

Estima-se que existam 5 milhões de brasileiros infectados pelos vírus B e C da hepatite, segundo as entidades da sociedade civil. Mais de 90% desconhecem ter a doença. De 1999 a 2009, foram confirmados mais de 284 mil casos dos cinco tipos de hepatite (A,B,C,D e E) no país, segundo o Ministério da Saúde. No mesmo período, mais de 20 mil mortes foram registradas, sendo 70% delas devido à hepatite C, a mais agressiva. No Brasil, as mais comuns são as causadas pelos vírus A, B e C.

O desconhecimento da doença aumenta o risco de a inflamação no fígado agravar-se e provocar danos mais graves à saúde, como cirrose ou câncer. Humberto Silva, presidente da Associação Brasileira dos Portadores de Hepatite, defende que os médicos criem o hábito de pedir o teste para identificar a doença precocemente. O exame pode ser feito por meio da coleta de sangue ou biópsia do fígado.

— É preciso que alguém interrompa o ciclo da hepatite. Não se pode esperar que a pessoa descubra sozinha. Eu não sentia nada. A hepatite fica hospedada na pessoa e vai acabando com o fígado dela aos poucos, sem que ela perceba — disse.


Transmissão
As hepatites dos tipos A e E são transmitidas por meio do contato com indivíduo, água ou alimento contaminados pelo vírus, isto é, estes casos estão relacionados com a falta de higiene e de saneamento básico.

Já a transmissão das hepatites B e C ocorre por relação sexual desprotegida, da mãe para o filho durante o parto, pelo uso compartilhado de seringas, lâminas de barbear, alicates de unhas e objetos cortantes, assim como os usados em tatuagem e piercing, e por transfusão de sangue infectado. No caso da C, a infecção pelo sexo sem camisinha é mais rara.

A hepatite D se desenvolve em quem já é portador o vírus da hepatite B e a transmissão é semelhante a do tipo B.

Tratamento e prevenção 
O tratamento está disponível na rede pública de saúde, pode ter duração de seis meses a um ano, dependendo do tipo de hepatite. Podem ocorrer efeitos colaterais, como dores musculares e queda de cabelo, mas a taxa de abandono da terapia é baixa. Os medicamentos mais usados são o Interferon (injeção subcutânea) e a Ribavirina (comprimidos). Na rede privada, o tratamento pode chegar a R$ 50 mil.

No entanto, há também formas de prevenção. As vacinas contra as hepatites A e B estão disponíveis em centros de referência imunobiológica e nos postos de saúde, respectivamente. Já contra a hepatite C não existe vacina, mas ela pode ser curada.

Além das vacinas, outras medidas de prevenção podem evitar a infecção pelo vírus, confira:

:: Utilize água potável;

Lucio Sassi / Agencia RBS:: Lave bem os alimentos antes de consumi-los;

:: Respeite recomendações relacionadas à proibição de banho em locais impróprios;

:: Use preservativos durante as relações sexuais;

:: Se frequentar estúdios de tatuagem ou manicures, fique atento a esterilização dos materiais utilizados.


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